Agora, quando a pele não mais revela o viço Da juventude que rápido demais passou. Agora, quando o corpo já demonstra mais Sinais de cansaço do que curvas mirabolantes. Agora, quando já pensava mais na tranqüilidade Dos dias sem desatinos, nem rebeldias. Agora é que te encontro... Antes, quando meus dias eram uma busca desenfreada Por encontrar-te, Apenas passageiras paixões se revelavam: Noites de sexo ardente sucedidas Sem, no entanto, te mostrares. Contudo, eu te buscava, E, na ânsia da procura, Eu me entregava. Mas, não, Não vinhas... Eras apenas a miragem Do meu próprio desejo. Quando, por fim, Eu me aquietei, Quis apenas ficar Comigo mesma. Quando resolvi Não mais buscar, Nem me entregar, Nem arriscar, Chegaste. A princípio, nem te enxerguei, Talvez meus olhos cansados Nem te quisessem ver. Mas vieste... Calmo, Tranqüilo, Doce, Sem o arroubo das paixões insanas, Ou infindáveis noites, Perdido entre lençóis de linho... Vieste, e num súbito, Te apoderaste da alma minha. Hoje, me te...